segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Perigo!

Imagine um avião pilotado por um agricultor, um médico, um gari, um professor, um advogado, sem uma formação de piloto. Ninguém ousará entrar nessa aeronave. Seria morte na certa!

Imagine se submeter a uma cirurgia de coração, realizada por um soldador, utilizando-se de um machado. Suicídio por mãos dos outros!

Imagine uma travessia de rio cheio, em uma canoa furada. Naufrágio anunciado!

Tudo isso é algo absurdo! Ninguém, em sã consciência, teria coragem de se submeter a tais serviços. Não é verdade?

Mas disse isso, para tratar de um assunto, igualmente perigoso, mas que. quase ninguém, dá a menor atenção. Quero falar do tratamento dispensado à educação pública brasileira.

Já ouvi alguém dizer que no tempo do "trem da alegria", os governadores mandavam as quotas de empregos para os "chefes" políticos das cidades do interior. Estes, por sua vez, saíam nas casas dos cidadãos que tinham uma quantidade maior de filhos e começavam a oferta de empregos público. Geralmente, traziam-se em empregos para várias áreas. Quando aquele pai de família não possuía, sequer um(a) filho(a) com um maior grau de instrução, ou seja, sem capacidade para exercer uma profissão que exije maior qualifição, era ofertada uma vaga de professor(a) para quele(a) que seria capaz de desasnar os irmãos e vizinhos. O pior, era que todo mundo dava graças a Deus pela chegada de mais um(a) educador(a)!

Era assim que se tratava a educação há algumas décadas. Mas nos dias de hoje, será que já mudou muita coisa? claro que mudou! Só não mudou a atitude dos governos e da maioria da sociedade.

Hoje, você encontra engenheiro, sem formação pedagógica dando aula; gente que terminou o Ensino Médio, na base da "cola" e da enrolação, que sai da escola em dezembro, como um péssimo aluno, e dois meses depois, volta como professor da mesma escola; professor com formação em Inglês, dando aula de física, etc. Isso todo mundo já conhece. Eu não vou ser cansativo com essa lista interminável.

Será que isso não é algo muito perigoso? Colocar um filho na escola pública é a mesma coisa que condená-lo a ter um futuro incerto e sem perspectivas de grandes conquistas. Todos sabem o desfecho da grande maioria dos alunos oriundos dessas escolas: não aprendem, sequer 30% do que deveriam aprender e são condenados a serem a futuros candidatos a uma ajuda financeira, a uma distribuição de alimentos, ou mesmo, a ficar aguardando com o nome em um cadastro, para receber uma casa própria (que nunca deixará de ser grato ao político que o indicou para recebê-la),e, finalmente, depois da morte, ainda continua candidato a receber o último donativo do governo: o caixão de defunto.

Mesmo diante de todo esse infortúnio e catástrofe humana, quase não se fala sobre esse assunto. Quando um professor começa a comentar sobre isso, recebe as mais pesadas críticas que alguém possa ser vítima. Aparece, logo, alguém para dizer que esse professor é frustrado, possui trauma de infância, ou coisa do gênero.

Mas eu ainda continuo acreditando no poder que tem o professor esclarecido, para tentar mudar esse quadro desolador. É por isso, que falo disso para meus alunos. Não me deixo vencer por aqueles que me mandam parar de falar "besteiras". Eu sei que essas pessoas são vítimas de um sistema opressor, que as "domesticou" para aceitarem esse estado de coisas.

Mas nem tudo está perdido! De vez em quando, encontramos um aluno que já começa a pensar diferente do sistema maligno implantado, e já fica do nosso lado. Eu acho que esse é o maior fruto da educação: a formação da cidadania.

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